12 de abr. de 2013

#Thinker.


Unificar tudo que penso em um único lugar.

Estabelecendo este, como meu megafone webenético.

Onde continuarei a partilhar artigos, notícias, sons, imagens, videos e ideias sobre os mais variados temas.

4 de abr. de 2013

O cliente



Uma campanha fabulosa para levar, principalmente jovens, a comprarem os ingressos do festival. Tudo ótimo se não fosse um pequeno detalhe: o modo como os ingressos são vendidos.

O tratamento ao consumidor neste país é recorrente. Empresas, marcas e até mesmo o poder público, pouco se importam com o cliente, focando única e exclusivamente em si próprios.

A falácia da paixão do futebol, reverbera no evento, levando a um consumo sem razão. Assim como o futebol é tratado em países civilizados, sou capaz de afirmar que o mesmo não se repetiria por lá.

Ao cliente, restam duas opções: continuar consumindo acatando o status quo ou rebelar-se exigindo maior respeito e consideração e deixando de consumir tal produto.

Voce é quem sabe.

23 de jan. de 2013

O executivo da bola

Dia 22 de janeiro, no jornal Bom Dia Brasil, foi apresentada uma matéria sobre os executivos do futebol e cabe um esclarecimento.

Tal função já existe há algum tempo, mas só agora ganha uma destaque maior na mídia, sabe-se lá porque motivo.

Sua principal atividade é administrar os recursos disponíveis para se obter a melhor performance esportiva possível e ponto. E nisto, eles tem o seu valor.

Fato é que os atuais gestores profissionais do futebol, na sua maioria, ainda possuem uma visão míope, focada no curto prazo e nos resultados dentro de campo, negligenciando ações comerciais e ativações do marketing na programação das atividades na temporada.

Falta planejamento estratégico, visão ampla e de longo prazo, entendimento do mercado do esporte como parte da industria do entretenimento.

Falta tomar consciência da linguagem universal que o esporte possui e da abrangência global do futebol, em específico. Da necessidade dos meios de comunicação em veicular este tão nobre conteúdo para gerar audiência, atraindo marcas e ganhando por isso.

Falta estabelecer que a paixão da sua torcida não lhe é saudável e não gera um consumo significativo e que simplesmente vender espaços publicitários em seu uniforme o compara a qualquer tipo de mídia.

Faltam coisas que só seriam possíveis serem percebidas se o futebol fosse enxergado por outras lentes que não as de sempre.

E aí, vai trocar suas lentes?

14 de jan. de 2013

Uniforme 'limpo': sim ou não?

O esporte possui uma linguagem universal. Quando referindo-se ao futebol, sua abrangência extrapola fronteiras, tornando tal linguagem, globalizada.

O mercado reconhece isto e utiliza este conteúdo para promover ações comerciais e publicitárias de modo a se aproximar desta linguagem de fácil assimilação, patrocinando eventos, clubes, equipes e atletas.

Poucos são os protagonistas do mercado do esporte que percebem seu poder de penetração nas diversas camadas sociais e a utilizam a seu favor, exigindo um maior aporte daquelas marcas que decidem expor nos espaços publicitários disponíveis e demais propriedades, explorando suas potencialidades dentro de um planejamento estratégico que também inclua objetivos comerciais e financeiros, além dos resultados esportivos.

Uma vez tendo percebido, seria realmente necessário expor uma marca em seu uniforme ou existiriam outros modos de lidar com tal receita?

A percepção do valor da capacidade de comunicação universal do esporte é um tanto míope para a maioria de seus protagonistas.

Dentre outros atores esportivos, clubes de futebol, mais especificamente, clubes de futebol no Brasil possuem uma gestão focada no envolvimento emocional e abnegado de seus principais dirigentes e mesmo quando gerenciados por profissionais, como os grandes clubes europeus, persistem num modelo de comercialização de espaços publicitários em seus uniformes para garantir parte das receitas necessárias para cobrir seus custos.

Quando o patrocínio extrapola a simples compra destes espaços, avançando para uma parceria mais contundente, surge um problema maior quanto a crescente dependência financeira neste modelo e pior, uma ingerência do patrocinador na gestão do patrocinado, cerceando sua autonomia administrativa.

Caso mais célebre no Brasil, a parceria Palmeiras-Parmalat demonstrava no seu início, um modelo eficiente e de resultado, mas que no longo prazo, quando da decretação da falência da matriz italiana pa parceira-patrocinadora, escancarou as mazelas deixadas no clube, que não soube capitalizar-se ou, ao menos, explorar outras fontes de receitas para não se tornar tão dependente de seu patrocinador/parceiro.

Modelo este que se repete na mais recente e bem sucedida parceria Fluminense-Unimed, onde percebeu-se total ingerência do parceiro/patrocinador no futebol do patrocinado, incluindo, seu gestor, treinador e principais jogadores remunerados diretamente pela patrocinadora.

Além do fato de que, o presidente da empresa ser um apaixonado torcedor pelo tricolor, restando saber quando será o fim e o que restará ao clube.

De um outro lado, no extremo oposto da relação patrocinador/patrocinado, as ligas esportivas norteamericanas desenvolvem um modelo de negócio baseado na manutenção da propriedade de transmissão de seus eventos e no endosso de marcas, mantendo “limpo” os uniformes de seus times.

Este modelo, consiste em atletas, equipes e a própria liga em assinar, ou seja, endossar a marca, produto ou serviço do patrocinador, colocando sua marca nos anúncios e embalagens dos produtos do patrocinador.

Deste modo, toda a atenção durante seus eventos volta-se para o jogo em si e para seus protagonistas, o que acaba por valorizá-los ainda mais, garantindo maior receita na negociação de seus direitos televisivos, onde a estratégia adotada visa o fortalecimento da liga, do todo e não de um ou outro time.

No fundo, vender ou não os espaços publicitários nos uniformes seria uma questão irrelevante, sendo o mais importante reconhecer a capacidade de penetração do esporte dada a sua linguagem universal, a extrema necessidade dos meios de comunicação por este conteúdo para gerar audiência, valorizar e garantir receita publicitária, o interesse das agências que escolhem quais meios serão utilizados pelas marcas que as contratam, e as empresas, detentoras das marcas, que utilizam sua associação com valores esportivos de modo estimular o consumo e gerar mais vendas de seus produtos.

Uma vez reconhecidos os interesses das partes envolvidas, os gestores devem estabelecer quais estratégias serão adotadas, com objetivos e metas definidos, garantindo uma melhor tomada de decisão sobre qual modelo deverá ser escolhido.

14 de dez. de 2012

Retrospectiva

Durante o ano, estive presente em alguns eventos que discutiram o mercado esportivo, em especial o do futebol, sob diversos ângulos e abordagens.

Em alguns tive a oportunidade de ouvir mais do mesmo sobre o tema, enquanto em outros, novas considerações e pontos de vista interessantes.

Um deles, do qual até postei um texto, falava sobre o valor do conteúdo esportivo, principalmente o futebol, devido a sua linguagem universal e penetração global. Falava também, sobre como os meios de comunicação dependem deste conteúdo para gerar audiência e, a partir daí, receitas através da comercialização dos espaços publicitários, que por sua vez, geram negócios entre as agências e as marcas, fazendo as engrenagens rodarem no setor corporativo.

Noutro, outro palestrante citou o quanto é difícil para clubes de futebol adotarem uma formatação corporativa e suas práticas, o quanto seus mercados se diferem, bem como a reação de seu principal público-alvo.

Ainda neste mesmo evento, numa outra palestra, ouvi que o foco das ações comerciais no futebol estava voltado para um público-alvo equivocado com uma justificativa incoerente: torcedores fanáticos e a paixão.

Dizia que, utilizando uma metodologia própria, o foco deveria ser no amor ao clube, sentimento mais racional, onde o publico-alvo mantém sua crítica, exige qualidade, mas, em contrapartida, denota fidelidade.

Várias foram as opiniões, sugestões, idéias surgidas, o que denota um novo modo dos atores deste mercado se relacionarem com os demais e vice-versa.

Resta saber o quanto estarão dispostos a transformar estas opiniões e idéias em ações factíveis de sucesso, estabelecendo um novo patamar nestas relações.

Está na hora de deixarmos o individualismo egoísta da "farinha pouca, meu pirão primeiro" e nos voltarmos para uma relação sustentável. mais inteligente e equilibrada, onde todos possam usufruir deste tão fabuloso meio que é o esporte.

6 de out. de 2012

Precificando a formação

De acordo com a nova redação dada a Lei Pelé pela Lei Federal Nº 12.395/2011 Art. 29 §§ 2º e 3º, caracteriza como entidade de prática desportiva formadora - clube formador - do atleta aquela que fornece a seus atletas programas de treinamento nas categorias de base e complementação educacional e satisfaça, cumulativamente, os seguintes requisitos:
 
  • Ter seus atletas em formação inscritos em uma entidade regional de administração do desporto - federação estadual a pelo menos um ano e que estejam também inscritos em competições oficiais; 
  • garantir assistência educacional, psicológica, médica e odontológica, assim como alimentação, transporte e convivência familiar; 
  • manter alojamento e instalações desportivas adequadas, sobretudo quanto a higiene, segurança e salubridade; 
  • manter um corpo de profissionais especializados em formação tecnico-desportiva; 
  • manter agenda diária de seus atletas ajustando tempo necessário à efetiva atividade de formação de modo a não exceder quatro horas diárias, aos horários do currículo escolar ou de curso profissionalizante, além de propiciar-lhes matrícula escolar com exigência de frequência e satisfatório aproveitamento; 
  • estarem seus atleta isentos de qualquer expensas decorrentes das atividades de formação desportiva; 
  • comprovar que participa anualmente de competições organizadas por entidade de administração do desporto em pelo menos duas categorias da respectiva modalidade; 
  • e garantir que o período de seleção não coincida com os horários escolares; além de receber da entidade nacional de administração do desporto certificado que garante o cumprimento do quesitos supracitados e estabelecidos pela devida lei. 

Então quais seriam os custos?

Uma vez certificado como clube formador, atendendo todos os quesitos estabelecidos por lei e comprovados junto a CBF, cabe realizar a apuração das despesas afim de que se possa estabelecer o controle dos custos da formação de atletas, e entender quais despesas estão diretamente envolvidas as atividades - custo direto ou variáveis, e quais são aquelas que não decorrem e independem das atividades de formação - custo indireto ou fixo.

Ao observarmos os quesitos necessários e que qualificam o clube como formador, podemos entender como custo direto ou variável aqueles relacionados ao treinamento desportivo:
  • Gastos na contratação e manutenção de profissionais técnico-desportivos especializados desde o almoxafire até o gerente responsável pelas categorias de base, passando pelos profissionais de comissão técnica, corpo médico-psico-social, pessoal técnico-administrativo e gatering - alimentação; 
  • aquisição de equipamentos, material desportivos, médicos e fisioterápicos, bem como, alimentos e suplementação nutricional; 
  • manutenção das instalações esportivas e de hospedagem, garantindo higiene, segurança e salubridade adequadas; 
  • gastos com participações em competições oficiais, mensalidade escolar. 

Já os custos indiretos ou fixos seriam aqueles decorrentes com atividades que não estejam ligadas diretamente a formação de atletas e envolvem o pagamento dos serviços públicos - luz, água, gás, telefone além daqueles realcionados a determinadas prestações de serviço, tais como, segurança e manutenção patrimonial, serviços administrativos diversos, coleta seletiva de lixo, taxas e impostos.


Mas até que ponto é possível determinar o custo unitário de cada jogador de base?

Determinar um custo unitário de cada jogador da base não parece ser algo tão fácil. Uma média simples levando-se em consideração o custo total de formação dividido pelo número de atletas acaba por distorcer o real valor.

Um modo mais aproximado seria estabelecer alguns critérios que levem em consideração a data de entrada do atleta no clube, as taxas relacionadas as competições nas quais ele participou, a quantidade de horas treinadas, o número de jogos no qual esteve relacionado, que jogou, quanto tempo jogou, quantos jogos ficou ausente e quais foram os motivos, no caso de contusão, quanto tempo esteve sob os cuidados do departamento médico, quantas horas esteve sob orientação psicológica ou social e os custos com formação educacional e alimentação diária.

Os índices de cada item seriam calculados levando-se em conta o valor da hora/trabalho dos profissionais envolvidos nas atividades acima, mais o custo médio referente a alimentação e aos custos fixos do centro de treinamento.

Exemplo:
Um atleta X entrou no clube em um dia qualquer, passando por avaliação médica preventiva por um período de duas horas. Almoçou, treinou com a equipe da sua categoria por tres horas, lanchou, foi para escola, ao retornar, jantou e foi dormir.

Como seria feito o cálculo deste dia:
Levando-se em conta que durante a avaliação médica esteve sob os cuidados de um médico (30,00H/T) e um enfermeiro (15,00H/T) e que durante a sessão de treinamento esteve sob os cuidados de um treinador (45,00H/T), um treinador adjunto (30,00H/T), um preparador físico (25,00H/T), um fisioterapeuta (25,00H/T), um almoxarife (10,00H/T). Almoçou, lanchou e jantou a um custo de 10,00 por refeição. O custo por escola/dia é de 15,00, podemos realizar o seguinte cálculo:

Custo/Dia (Atleta X) = 2(Custo Total DM) + 3(Custo Total CT) + Custo Alimentação + Diária Escola

De onde poderemos obter:
Custo/Dia (Atleta X) = (2X45,00)+(3X135,00)+30,00+15,00 
Custo/Dia (Atleta X) = R$540,00

Como se pode observar, também não é tão difícil quantificar o custo unitário de cada jogador, e sim trabalhoso.

Outro aspecto a ser levado em consideração é o rendimento do montante gasto na formação de cada jogador se o mesmo fosse investido em uma aplicação financeira. isto serviria como parâmetro de controle e avaliação quanto a rentabilidade do investimento feito na formação.

Embora o processo de formação seja individualizado, bem como a elaboração do custo de cada atleta, devemos nos lembrar que, nos casos de desportos coletivos, seria necessário acrescentar o custo médio da equipe na categoria na qual o atleta se encontra, no seu custo individual.

12 de set. de 2012

Quem depende de quem


Existe uma relação interessante na negociação de direitos de transmissão televisiva para eventos esportivos no Brasil, em especial, no futebol.

O esporte é um conteúdo mais valioso para os meios de comunicação, pois é o único que possui uma linguagem universal capaz de superar qualquer barreira cultural, idiomática ou linguística.

Por outro lado, as emissoras necessitam cada vez mais deste conteúdo embalado em formato audio visual para gerar a maior audiência possível decorrendo maior arrecadação no mercado publicitário.

Ainda em estado bruto, e com a insistência na manutenção de práticas insalubres as suas finanças, dirigentes esportivos vendem seu diamante sem perceberem qual o seu real valor frente a demanda de quem o compra.

Uma vez, tratado de modo mais profissional e devidamente lapidado, o esporte ganharia maior valor agregado e inflacionado positivamente pela necessidade do comprador em manter sua audiência em níveis atraentes e que proporcionem o retorno desejado.

Daí o comprador aceitar ou não esta nova relação, será uma outra história, mas sabedor do real valor de seu produto, não seria a hora das mesmas entidades explorarem-no por si só?


13 de ago. de 2012

De Barcelona ao Rio

Em 1992, os EUA tiveram um excelente desempenho como de costume para, logo em seguida, em Atlanta aumentarem significativamente o número de medalhas.

Já em 2004, foi a vez da China, aumentando seu número de medalhas para atingir o topo na própria casa em 2008.

Nesta mesma edição, O Reino Unido já fazia seu dever de casa aumentando a participação de seus atletas em finais o que acabou por gerar a terceira colocação no ranking de medalhas em Londres 2012, somente atrás das grandes potências esportivas, EUA e China.

E o Brasil? Melhorou? Sim, e se formos relativizar, obteve um aumento de 50% em medalhas de ouro, 25% em medalhas de prata e 12,5% em medalhas de bronze. No total foram 3 medalhas a mais em relação a última edição perfazendo um ganho de aproximadamente 20%. Um desempenho, em números, muito bom.

O problema não está no fim. O COB, diga-se de passagem não fez mais que sua obrigação, disponibilizou toda a estrutura necessária ao atendimento dos atletas e equipes olímpicas, tendo, inclusive, colocado a disposição uma equipe multidisciplinar de profissionais para demandas necessárias a sua preparação neste ciclo olímpico, inaugurando junto com a prefeitura do Rio de Janeiro, seu primeiro centro de treinamento.

O mais grave problema está na ausência de políticas públicas de incentivo ao esporte que permitam estabelecer quem são seus atores e suas respectivas responsabilidades, bem como inserir a Educação Física como disciplina obrigatória no currículo do ensino infantil, fundamental, médio e universitário.

O principal e mais importante agente neste cenário, o professor de Educação Física, tem sido desprivilegiado, sem o devido reconhecimento e importância.

Mas isto não é o mais importante para um país que destina 7% do seu PIB para investir em Educação.

6 de ago. de 2012

O ouro, a prata, o bronze e o nada

A diferença entre o ouro, a prata, o bronze e o nada, não existe de tão próxima.

Ciclos olímpicos com quatro, oito, doze anos de dedicação ao alto-rendimento, por um centésimo, um segundo, um passo mal dado, esgotam-se no nada.

Nada este que difere daquele de quem não acredita poder realizar, de quem não dá o seu máximo para conseguir o seu melhor, mesmo em que nada redunda.

O mérito daqueles que sobem os degraus, que recebem os louros, que triunfam entre tantos de seus pares é justo e adequado, mas o esforço, a dor e privação de tantos outros também.

O esporte consegue promover valores morais e éticos vigorosos esquecidos no tempo por boa parte da população mundial, tornando-nos egoístas a ponto de não enxergarmos o meio a nossa volta.

Enalteçam-se os heróis, os mitos, as lendas olímpicas da atualidade, mas também sejam enaltecidos aqueles que ousaram estar ali, perseguindo seus sonhos mesmo não conseguindo subir os nobres degraus, pois eles nunca terão o nada, eles terão tudo.

4 de ago. de 2012

Olímpo


A maior graça em se tornar um campeão olímpico nos Jogos Antigos era usar a coroa de ramos e ser referenciado por todos até os Jogos seguintes.
London 2012 Official Facebook Page

Na modernidade, o velho barão tentou a todo custo, investindo parte de sua fortuna, manter um ideal maior quase ufanista.

No hoje contemporâneo, esbarramos com a sofridão alheia daqueles que desejavam ir mais, querer mais.

Esbarramos na ciência de heróis reconhecendo o valor e a honra dos louros, transformando o jogo numa saga.

Encontramos num encabulado atleta, o herói se tornando o mito e o mito em lenda, que quando batido, provavelmente, não estaremos mais por aqui.

Mas, também esbarramos naqueles que não se deixam tocar por valores tão altruístas e abrem mão da disputa, da realização, sabe-se lá por quê.

2 de ago. de 2012

O esporte desculpa-se


É um erro imaginar que só pelo fato de provermos uma estrutura eficiente em Londres, nossos atletas chegariam ao pódio. Para o COB, fornecer tamanha estrutura é uma obrigação.

Nosso maior problema está no Sistema Nacional do Desporto.

Está na falta de uma política nacional específica, estabelecendo responsabilidades e diretrizes sobre fomento, iniciação, desenvolvimento e aprimoramento das diversas modalidades esportivas sob aspectos sociais, acadêmicos, econômicos e de al
ta performance.

Só assim, um dia teremos todos os nossos talentosos atletas nos pódios olímpicos somando um número ímpar de medalhas.

Independente do quão distante eles tenham ido neste ciclo olímpico, devemos parabenizar todos nossos atletas pelas privações, pelos esforços, pelas dores, pelo prazer, pois, cada um deles, são merecedores de muito mais do que obtiveram.

25 de jul. de 2012

Ode au Sport

I.

O Sport, plaisir des Dieux, essence de vie, tu es apparu sou- dain au milieu de la clairière grise où s’agite le labeur ingrat de l’existence moderne comme le messager radieux des âges

évanouis, de ces âges où l’humanité souriait. Et sur la cîme des monts, une lueur d’aurore s’est posée; et des rayons de lumière ont tacheté le sol des futaies sombres.

II.

O Sport, tu es la Beauté ! C’est toi, l’architecte de cet édifice qui est le corps humain et qui peut devenir abject ou sublime selon qu’il est dégradé par les passions viles ou sainement cul- tivé par l’effort. Nulle beauté n’existe sans équilibre et sans proportion et tu es le maître incomparable de l’un et de l’autre car tu engendres l’harmonie, tu rythmes les mouvements, tu rends la force gracieuse et tu mets de la puissance dans ce qui est souple.

III.

O Sport, tu es la Justice ! L’équité parfaite en vain poursuivie par les hommes dans leurs institutions sociales s’établit d’elle- même autour de toi. Nul ne saurait dépasser d’un centimètre la hauteur qu’il peut sauter ni d’une minute la durée qu’il peut courir. Ses forces physiques et morales combinées déterminent seules la limite de son succès.

IV.

O Sport, tu es l’Audace ! Tout le sens de l’effort musculaire se résume en un mot : oser. A quoi bon des muscles, à quoi bon se sentir agile et fort et cultiver son agilité et sa force si ce n’est pour oser ? Mais l’audace que tu inspires n’a rien de la témérité qui anime l’aventurier lorsqu’il livre au hasard tout son enjeu. C’est une audace prudente et réfléchie.

V.

O Sport, tu es l’Honneur ! Les titres que tu confères n’ont point de valeur s’ils ont été acquis autrement que dans l’absolue loyauté et dans le désintéressement parfait. Celui qui est par- venu par quelque artifice inavouable à tromper ses camarades, en subit la honte au fond de lui-même et redoute l’épithète infamante qui sera accolée à son nom si l’on découvre la super- cherie dont il a profité.

VI.

O Sport, tu es la Joie ! A ton appel la chair est en fête et les yeux sourient; le sang circule abondant et pressé à travers les artères. L’horizon des pensées devient plus clair et plus limpide. Tu peux même apporter à ceux que le chagrin a frappés une salutaire diversion à leurs peines tandis qu’aux heureux tu per- mets de gouter la plénitude du bonheur de vivre.

VII.

O Sport, tu es la Fécondité ! Tu tends par des voies directes et nobles au perfectionnement de la race en détruisant les ger- mes morbides et en redressant les tares qui la menacent dans sa pureté nécessaire. Et tu inspires à l’athlète le désir de voir gran- dir autour de lui des fils alertes et robustes pour lui succéder dans l’arène et remporter à leur tour de joyeux lauriers.

VIII.

O Sport, tu es le Progrès ! Pour te bien servir, il faut que l’homme s’améliore dans son corps et dans son âme. Tu lui imposes l’observation d’une hygiène supérieure; tu exiges qu’il se gare de tout excès. Tu lui enseignes les règles sages qui don- neront à son effort le maximum d’intensité sans compromettre l’équilibre de sa santé.

IX.

O Sport, tu es la Paix ! Tu établis des rapports heureux entre les peuples en les rapprochant dans le culte de la farce con- trôlée, organisée et maîtresse d’elle-même. Par toi la jeunesse universelle apprend à se respecter et ainsi la diversité des qua- lités nationales devient la source d’une généreuse et pacifique émulation.

*Pierre de Coubertin

13 de jul. de 2012

Projeto de patrocínio

Muitas vezes elaboramos um projeto esportivo e saímos por aí prospectando patrocinadores.

Apresentamos nosso projeto, seu apelo, as possibilidades de visibilidade da marca ou do produto do patrocinador nos diversos espaços destinados.

Enfatizamos um melhor custo benefício com relação as mídias tradicionais e o fato de se agregar os valores do esporte a marca.

Mas, na maioria das vezes, esquecemos de pensar uma questão primordial: como o patrocinador ganhará dinheiro veiculando sua marca ao projeto esportivo.

Ao achar que estamos apresentando uma solução, estamos levando um problema.

Se nos debruçássemos um pouco mais sobre nossa proposta, estudássemos cada potencial patrocinador e seus produtos, poderíamos elaborar uma proposta financeiramente viável que apresentasse um plano para viabilizar o retorno financeiro que, no mínimo, custeasse os gastos do patrocinador com o projeto.

Deste modo, problema e solução prontos, as chances de sucesso na prospecção aumentariam.

27 de jun. de 2012

Quando entidades esportivas perdem o momento

O remo com os irmãos Carvalho, o tênis com Maria Esther Bueno e Guga Kuerten, a equitação com Rodrigo Pessoa, a natação com Djan Madruga, Ricardo Prado, Gustavo Borges e Cesar Cielo, a ginástica artística com Luísa Parente, irmãos Hipólito e Diane dos Santos, o basquete com Hortência, Magic Paula, Marcel e Oscar, a stock car - principal modalidade automobilística no país, o volei de bronze, prata e ouro, o futebol pentacampeão mundial.

Oportunidades perdidas 

Todas as modalidades repletas de projetos esportivos mal explorados ou desenvolvidos pela falta de um olhar mais global e geral por parte de seus gestores, que não entenderam ou não desejaram tornar suas respectivas disciplinas como setores da indústria do esporte e acabaram por perder oportunidades diversas decorrentes da ascensão de seus talentos esportivos, seja individuais ou coletivos, pelo êxito de suas conquistas exaltado pela mídia em geral e comemorado pela população.

Receitas significativas 

Só recentemente, o esporte é visto como um mercado capaz de gerar receitas significativas que vão além da simples exposição de marcas nos uniformes ou da venda de direitos televisivos.

No futebol, devido a seu grande apelo nacional, tal fato torna-se ainda mais evidente, quando clubes reféns de patrocinadores e emissoras de televisão tornam-se, economicamente inviáveis quanto ao sustento e manutenção de suas equipes quando investidores perdem seu interesse comercial.

Um caso de sucesso ou fracasso

Um dos primeiros exemplos de sucesso de parceria entre um clube de futebol e uma empresa foi o caso Palmeiras-Parmalat, quando a empresa buscava um modo de ganhar uma maior participação no mercado de laticínios e derivados.

Seu principal objetivo era crescer rápido. Ao associar-se ao clube, o evidente apelo emocional do futebol junto a comunidade italiana.

Tal parceria revelou ser um sucesso, quando o clube recobrou seu caminho de vitórias e conquistas esportivas nos anos que se seguiram através do aporte financeiro feito pela empresa na aquisição de jogadores, enquanto a empresa aumentava sua participação no mercado de laticínios.

Mas por que o caso é tratado aqui? Não o foi um caso de sucesso? Muito bem elaborado, desenvolvido e executado? Sim e não.

Sim pelo fato já citado acima. Não porque o clube não aproveitou a oportunidade e tratou de fazer o devido “dever de casa” organizando-se de modo a não depender financeiramente da empresa parceira.

Este fato se mostrou mais claro, quando a empresa teve problemas organizacionais e deixou a parceria. Logo, demandas anteriores a parceria tornaram-se evidentes novamente no clube.

Este caso leva a outro ainda mais recente e presente: Fluminense-Unimed.

Mais uma vez o modelo se repete e com um agravo: maior interferência da parceira na gestão do futebol no clube e no fato de não haver preocupação com o desenvolvimento de novas práticas comerciais e busca de novos parceiros comerciais, gerando uma fonte de receita mais substancial.

Pensamento estratégico

A obrigação destas entidades esportivas não está mais somente no suporte logístico a formação e desenvolvimento de seus atletas, mas na elaboração de um pensar estratégico mais amplo onde questões referentes a prospecção de novos negócios, bem como a elaboração de novas propostas de fontes de receita capazes de suprir não só seu grande custo operacional, mas gerar lucro suficiente para o reinvestimento na atividade fim, bem como promover uma certa independência financeira com relação a seus parceiros comerciais e demais atores do mercado esportivo.

Práticas sustentáveis, governança corporativa, transparência contábil devem ser premissas nos novos modelos de gestão a serem adotados.

A interdepartamentalidade na elaboração e execução do planejamento da temporada também. As ações comerciais desenvolvidas pelo marketing devem estar em sintonia com as atividades relacionadas a prática esportiva durante a temporada, e ambas com os objetivos e estratégias da entidade esportiva em questão.

25 de jun. de 2012

Resultado dentro e fora das arenas esportivas

A profissionalização de uma entidade esportiva implica na adoção de modelos capazes de gerir, eficientemente, seus recursos, reduzindo seus custos, maximizando suas receitas, com o objetivo de atingir sua melhor performance esportiva ao longo de sucessivas temporadas.

Para tanto, sua estrutura gerencial deve assemelhar-se daquelas comuns as empresas, sem traços amadorísticos ou paixão exacerbada.

Com competência reconhecida quanto a sua formação e conhecimentos específicos em cada área relacionada direta ou indiretamente as disciplinas esportivas praticadas.

Mas esta não é a realidade da maioria das entidades esportivas no Brasil, seja ela administrativa ou de prática.

No segundo caso, com especial atenção nos clubes de futebol, persiste o amadorismo apaixonado na alta-gestão, levando a tomada de decisão para fora de um processo racional.

Neste contexto, o conflito entre o gestor amador apaixonado e o treinador racional profissional exacerba-se quando resultados da equipe não refletem a espectativa da direção e da torcida.

Em tal cenário, tanto a formação quanto a competência técnica e científica do treinador esportivo ganha relevância fundamental no processo, no que tange a coordenação e a direção das atividades pertinentes ao andamento da equipe durante a temporada.

Sua decisões, quanto a seleção de elenco, promoção de jovens talentos, dispensa, renovação e contratação de atletas, bem como o planejamento das atividades a serem realizadas na temporada, vão ao encontro do orçamento e do uso de recursos a serem disponibilizados de modo a se atingir o sucesso esportivo desejado.

Aidar cita em seu artigo que segundo alguns estudos da consultoria inglesa Delloite não existe uma forte relação entre o lucro e a performance em campo, embora outros, citados no mesmo artigo, sugerem que possam existir, ao menos, dois relacionamentos fundamentais que serviriam para ilustrar a equação entre os gastos com salários e o sucesso competitivo, bem como o sucesso competitivo e a geração de receitas, indicando que, no primeiro caso, sua correlação foi bastante significativa evidenciando um funcionamento eficiente do que foi chamado de “mercado por jogadores” onde a despesa com salários e o desempenho competitivo sugere a importância do primeiro nos resultados esportivos na temporada.

Já com relação ao sucesso competitivo a obtenção de receitas, a análise de Szymanski e Kuypers, mencionado por Aidar em seu artigo, demonstrou a relevância deste relacionamento ao explicar a lógica do negócio para clubes de futebol, indicando um “mercado por torcedores”.

Sua explicação fica por conta da diversificação de receitas - TV, patrocínio, marketing, etc. - além da tradicional arrecadação na bilheteria, atentando para o detalhe que apesar do imaginário refletir uma fidelização dos torcedores, existe uma relação volúvel, semelhantes aos jogadores, por ambos serem dirigidos pelo sucesso.

Trazendo para os dias atuais, tal justificativa se mantém fiel ao serem observados os resultados obtidos com a geração de receitas conforme a Delloite Football Money League, onde Real Madrid e Barcelona lideram o topo do ranking somando juntos cerca de 930 milhões de euros.

Destaque para bilheteria, ou seja, a audiência nos estádios, onde o Real Madrid faturou 123,6 milhões de euros, Barcelona 110,7 milhões e Manchester United com 120,3 milhões. Que somada as receitas obtidas com os direitos de televisão, reforçam o sucesso esportivo dos três clubes a época do estudo.

Em outro estudo, demonstra dados históricos sobre receitas de vinte clubes de futebol no Brasil onde nos últimos cinco anos houve um significativo aumento tanto da receita total e quanto dos ganhos sem a transferência de atletas.

Os vinte clubes analisados neste estudo geraram uma receita total de 2,14 bilhões de reais o que representa um aumento de 27% em relação a 2010.

Quando descontadas as receitas obtidas com a transferência de atletas, este valor atingiu 1,8 bilhão de reais com um incremento de 133% frente ao resultado obtido em 2007, identificando o potencial econômico das diversas fontes de receitas dos clubes quando exploradas de modo mais eficiente.

Tais estudos refletem e caracterizaram uma volátil relação entre resultados esportivos, aumentos de receitas e gastos salariais.

Neste cenário, independente qual seja o modelo adotado por uma entidade esportiva, seja corporativo ou associativo, seus resultados esportivos alcançados em temporadas sucessivas revertem, de modo significativo, em fontes de receitas oriundas de novos e melhores acordo comerciais, enquanto um mal resultado imediato pode gerar um decréscimo temporário em virtude do comportamento volúvel do torcedor, decorrente de fator emocional.

Isto comprova que as decisões tomadas pelo treinador ao longo da temporada refletem diretamente no custo e nas receitas da entidade esportiva em questão.

Sua participação em competições com mais visibilidade e alcance com referida obtenção de resultados esportivos expressivos no curto e médio prazos refletem na aquisição de maiores e melhores receitas no longo prazo permitindo o reinvestimento de parte delas em suas equipes esportivas, seja no desenvolvimento de novos e promissores talentos, na melhor remuneração de seus atletas e treinadores proporcionando a manutenção do talento, ou ainda, uma relação mais equilibrada que permita uma melhor negociação de suas propriedades comerciais junto aos demais atores do mercado, gerando uma espiral ascendente vencedora.

Somente com a reunião de uma equipe multidisciplinar, onde a comissão técnica e os departamentos financeiro, jurídico, RH e marketing tenham representantes a fim de deliberar sobre o planejamento das atividades pertinentes a temporada esportiva de modo que haja total integração e interação departamental referente as atividades a ações a serem realizadas, onde tanto os objetivos comerciais e esportivos sejam alcançados.

Deste modo o treinador bem formado e informado poderia adequar seus métodos de trabalho e agir baseado nos parâmetros estabelecidos onde suas atribuições estariam voltadas para performance competitiva da sua equipe visando tanto a formação de novos talentos (redução de custos), quanto a obtenção de resultados esportivos relevantes tanto dentro das arenas esportivas, redundando no aumento significativo de receitas.

Referências:
_____. 2010/11Barcelona regressa ao topo da Europa. Disponível em: http://pt.uefa.com/uefachampionsleague/season=2011/index.html. Data de acesso: 01/06/2012.
_____. Classificação final do campeonato brasileiro série A 2011. Disponível em: http://cbf.com.br/competicoes/campeonato-brasileiro/serie-a/2011. Data de acesso: 01/06/2012.
_____. Clasificación Temporada 2010/11. Liga Nacional Primera Division. disponível em: http://www.rfef.es/index.jsp?nodo=92. Data de acesso: 01/06/2012.
_____. Premiere League 2010/11 Season. Disponível em: http://cde.cerosmedia.com/1J4e26cfd9df8c1624.cde. Data de acesso: 01/06/2012.
_____. Receitas dos Clubes de Futebol do Brasil. Edição 2011. BDO, 2012.
_____. Valor das Marcas dos Clubes de Futebol do Brasil em 2011: prévia do estudo anual da BDO sobre finanças dos clubes. BDO, Maio 2012.
AIDAR, A.C.K. A Transformação do Modelo de Gestão no Futebol. Relatório de Pesquisa Nº16. EAESP/FGV/NPP, 2000.
CUNHA, F. A. Técnico de Futebol: a arte de comandar. Rio de Janeiro: Prestígio, 2010. 198 p.
FARIA, C.E.P. Ciclo do fracasso constante pode ser detido pela espiral vencedora. Disponível em: http://www.universidadedofutebol.com.br/Artigos/2012/03/1,15315,CICLO+DO+FRACASSO+CONSTANTE+PODE+SER+DETIDO+PELA+ESPIRAL+VENCEDORA.aspx?p=4. Data de acesso: 31/05/2012.

4 de jun. de 2012

Garoto carente

O talentoso garoto bom de bola carecia da presença paterna substituída pelo frustrado irmão que realizou seu desejo na carreira do primeiro.

Menino mimado pelas mulheres da família, diga-se mãe e irmã, que não permitiram o crescer amadurecido, permanecendo sempre verde para vida.

O brilho de suas jogadas em campo levou-o a topo do mundo duas vezes e aí, no auge, quando deveria tomar rédeas sobre sua existência, pereceu.

Forçado pelo mimo e pela frustração daqueles que carregava nas costas, não porque não o desejasse, sucumbiu a pressão interna.

Quando esperava suporte, não teve. Quando esperava orientação, equívoco.

Isto nos faz lembrar a origem da maioria dos jogadores de futebol e atletas em geral. Humildes e pobres, pais jogam a responsabilidade da família na necessidade do sucesso do filho, sua fama e dinheiro, invertendo a lógica, passando o filho a sustentá-los.

Algumas destas, mesmo possuindo pouco ou quase nada, mantém fortes valores morais e éticos, gerando filhos conscientes e capazes de agirem sozinhos, reconhecedores de seus esforços para que atinjam algo melhor do que seus pais conseguiram.

Outras, simplesmente, esquecem de educá-lo para o mundo e ao menor traço de sucesso, agarram-se em suas pernas e braços como bóia de salvação em meio a um oceano revolto.

A verdade é que pouco de nossos grandes atletas são preparados para o sucesso atingido, menor ainda é a quantidade de familiares que entendem que tal sucesso, apesar de próximo, lhe é alheio, portanto, não sendo seu.

22 de mai. de 2012

República Popular do Corinthians



Descobriram que mais importante do que saber o número da massa de torcedores, é desenvolver uma inteligente estratégia para tornar esta massa em real consumidores de produtos e serviços, gerando fontes de receitas, saindo do ciclo do fracasso constante e adotando a espiral ascendente vencedora.

Este caso é uma prova real do retorno que se pode obter quando há vontade política para investir no Marketing da entidade esportiva, garantindo um robusto e sofisticado suporte as suas ações.

Que o país seja dividido em várias repúblicas e que todas atinjam o mesmo sucesso.

18 de mai. de 2012

Futebol, sofá e café

Venho percebendo o fim da minha resistência para assistir jogos de futebol e acho que deve acontecer com outras pessoas também.

Os jogos já perderam a audiência ao vivo, lá no estádio, ocasionado a redução do faturamento na bilheteria e a impossibilidade de realizar ações comerciais ou promocionais a fim de otimizar resultados financeiros e gerar novas fonte, deixando o evento com uma cara inexpressiva sem aquela atmosfera competitiva. Pouco se houve os gritos das torcidas.

Agora, perdem a audiência televisiva... Ok, as emissoras se defenderão alegando que atingiram tantos pontos naquele horário e estarão corretas em sua análises. Mas será que o espectador está do outro lado da tela?

Luto para permanecer acordado. Antes do jogo, sento a frente da TV ansioso pelo início da partida e, mesmo antes de terminar o primeiro tempo, Morfeu me cutuca várias vezes.

O segundo tempo começa, termina, vem os comentários e lá para duas da manhã, desperto amarrotado e com torcicolo, indo para cama tropeçando.

Do mesmo jeito que acontece comigo, deve acontecer com tantos outros que não agüentam mais a realização dos jogos tão tarde da noite. A televisão está ligada, mas a audiência não.

Mais uma vez, vou bater na mesma tecla, falar sobre o mesmo assunto, gritar para que alguém escute e mude o paradigma atual.

As entidades esportivas, sejam administrativas, sejam de prática, devem possuir uma robusta área comercial capaz de ir a mesa de negociações com emissoras, patrocinadores, agências e demais atores; e trabalhar arduamente pelo melhor resultado possível, não permitindo abusos e excessos contratuais da contra-parte.

Esporte de alto-nível é entretenimento, provido de conteúdo emocional suficiente para mobilizar multidões. Emissoras, patrocinadores, agências sabem disto. O mercado cultural também, tanto que o Cirque de Soleil revolucionou o circo ao criar uma atmosfera emotiva associada a performance dos seus atletas-artistas.

Quem vai dar o primeiro passo? Quem vai ser a ponta da lança? Inovar nos coloca a frente. Quando os demais perceberem, já estaremos surfando a onda, beneficiando-nos dos resultados.

Os produtores de café estão perdendo uma grande oportunidade.

14 de mai. de 2012

Estaduais

Em estudo realizado sobre o faturamento dos clubes de futebol durante os estaduais em quatorze estados na temporada 2011 realizado pela Brunoro Sports Business foram levados em consideração três aspectos geradores de receita: bilheteria, direitos televisivos e patrocínio.

Os dados analisados totalizaram R$ 372 milhões, dos quais 200 milhões foram gerados no eixo Rio-São Paulo, representando 54% do total.

Isolados, cariocas movimentaram 76,5 milhões e paulistas geraram 124 milhões. Já no Distrito Federal houve uma média de 170 mil por clube sem nenhuma receita da TV.

Um ponto em comum é o desinteresse pela compra de ingressos, onde a bilheteria responde por apenas 17% da receitas. No Rio 9%, em São Paulo 15%, mas é na contra-mão desta tendência que em Pernambuco, a venda de ingressos responde por 49% do valor total das fontes de receitas.

O estudo realça em números algo já esperado. A melhor gestão de estaduais cabe a Federação Paulista, não só por pagar melhor, mas por ter entre seus filiados uma quantidade significativa de clubes estruturados capazes de tornar a competição mais equilibrada.

Por sua vez é em Pernambuco onde a rivalidade clubística é capaz de levar um maior número de torcedores aos jogos. Chega a ser impressionante a performance do Santa Cruz, que mesmo durante sua campanha na Série D, lotava o Arruda tornando-se o clube com maior ocupação de lugares naquele ano em todas as séries do Brasileiro.

Tal evasão das torcidas no estádios decarreta, não só uma perda de receitas com a venda de ingressos mas de todas oportunidades oriundas de ações comerciais e promocionais pré, durante e pós-jogos.

A falta de conforto e acesso as arenas esportivas poderiam ser sua maior razão, mas não a única. A má negociação dos direitos televisivos entrega as emissoras o direito de escolher os horários dos jogos que, deliberadamente, são adequados as suas grades sem levar em conta a baixa audiência no estádio, tornando a ambientação da transmissão menos competitiva.

Cabe o devido aparelhamento de recursos e pessoal no departamento de marketing nos clubes de futebol, quebrando paradigmas, aumentando seu campo de visão enxergando-se como parte do mercado do entretenimento e aproveitando o alto componente emocional na relação com seu cliente: o torcedor.

11 de mai. de 2012

Altitude

Noutro dia escrevi um post entitulado "Pero no tan..." que trasncrevo abaixo para guiar voce leitor na linha de raciocínio que desenvolvo na sequência.

"Apesar das duas maiores competições continentais de clubes garantirem as vagas mais disputadas para o mundial interclubes, persiste uma grande diferença entre ambas.

UEFA Champions League garante a uma equipe que chega a fase de grupos (32 no total), cerca de R$ 18,1 milhões, mesmo se perder todos os jogos. Se estas vierem das fases de classificação, o valor sofre um acréscimo de 28%, indo para R$ 23,2 milhões.

Do outro lado do Atântico, um pouco mais para o Sul, até o campeão da Copa Libertadores recebe menos que os Top 32 da Champions. Na última edição, o Santos FC recebeu apenas R$ 7 milhões pelo título, segundo o Jornal Lance!.

Ainda assim, noticiado pelo mesmo periódico, Nicolás Leoz permanece há 26 anos a frente da Conmebol, sendo candidato único em todos os pleitos nos quais participou, afirma que seu cargo é vitalício conforme acordo costurado em congresso realizado em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, à época da Copa América.

A questão está na satisfação dos dirigentes das dez associações filiadas a Conmebol com a gestão da entidade continental, o modo que trata suas principais competições, suas seleções nacionais e clubes, como também está na passividade dos dirigentes dos clubes junto a gestão de suas associações nacionais.

Falta vontade política, gestão profissional, coragem para mudança e quebra de paradigmas."

Altitude, 13º jogador de qualquer equipe sulamericana no Peru, Bolívia e Equador. O único outro local onde haveria a possibilidade acontecer um jogo oficial, se não me engano, é o Nepal.

Ora, como pode ser lido acima, o senhor Nicolás Leoz, agora presidente vitalício da Conmebol, a qual são afiliados os três primeiro países citados acima, parece não demonstrar nenhum interesse que tamanho absurdo atentado a vida de jogadores de futebol se perpetue por razões aparentemente óbvias.

Falta empenho das associações mais relevantes em pressionar a Conmebol a se posicionar favoravelmente a suspensão de jogos na altitude.

Parecem não se importar com a saúde de seus jogadores e a performance de seus clubes nas competições continentais, que, de um modo geral, são niveladas muito por baixo.

A prova categorica de que se trata de um estratagema obtuso foi a goleada magnífica do Santos FC contra o Bolívar no jogo de volta na Vila Belmiro.

8X0 para colocar a pá de cal.